Era uma relação. Havia cobrança de uma felicidade prometida no futuro. Não tinham presente que não tinham o presente. Como areia fina que escorrega por entre as mãos, o tempo passava e com ele a infelicidade acumulava-se na contagem dos dias empacotados em caixotes.
Era uma relação. Daquelas com álbuns cheios de fotos, com menos amigos e com muitos familiares que não lhes pertenciam no sangue. Com amargura, terror, medo de perder o que se conhecia. Ao menos ali reconhecia-se o cheiro, a cor e a textura. Não era bem o conforto, porque conforto era não estar perto do outro. Conforto era sonhar. Sonhar e esconder.
Era uma relação. Daquelas em tudo parecia estar bem. Em que se alimentava a ilusão e a aparência. Daquelas em que se falava para ser ouvido, mas o outro era surdo e por isso não conseguia ver.
Era uma vez uma relação.