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terça-feira, novembro 11, 2008

Viagem

Peguei nas palavras para escrever uma música.

Não saiu nada.

Juntei um por do sol a uma memória.

Soltou-se uma nota que não consigo repetir.

Pensei em compor um texto e o som das palavras não se ouviu.

Não se escreveu nada.

Vive-se. Com intensidade.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Retorno

(Foto de DDiArte)

Peso morto em cima dos ombros

Desabafo

Choro em palavras


Corpo que estremece

Alívio

Aragem de ternura num abraço interminável

Retorno da Alma a casa


quinta-feira, julho 31, 2008

Sopro


Inspiro-te

Queria eu que o teu cheiro não descolasse da minha memória


Inspira-me

Não leves saudade de mim

Leva o sabor do meu Amor

E leva memória de olhar que te acaricia assim te vê

quarta-feira, julho 30, 2008

Abraça-me

(foto daqui)

(Gostava de ter sido eu a tirar esta foto.. :))


Um beijo quente

Daqueles que se perdem no espaço


E o tempo que não chega para o abraço que quer continuar a abraçar


E logo eu

Logo eu que julgava ter todo o tempo no meu espaço


sábado, julho 19, 2008

Sede de Mim



Depois de subir-te montanha íngreme,

Depois de me anular e chegar a grão de areia

Grito por atenção e por retorno de qualquer coisa que nem se consegue dar nome


Que nome tenho eu?

De que imagem sou reflexo?

Que vida quero ser eu agora?


Viagem de mim até mim.


Corri tanto,

Cumpri tanto,

Responsabilizei-me tanto...


Entretanto o vazio colou-se, e,

Com ele instalou-se aquele doloroso sentimento que me dá falta de ar e sufoca.


Desapareceu tudo o que tinha à minha volta

E de repente não há nada

Olho o espelho e não me vejo


Os caracóis caem desalinhados

Os sinais já não parecem os mesmos

O verde do olhar deixou a cor do sonho

O sorriso não sorri da mesma forma


Aprender a respirar de novo

Um inspira

Dois expira

E o que me dizem as cartas?,

E os astros o que escrevem agora?


Complexidade, dificuldade, sensibilidade

Os símbolos que me pintam agora quais são?


Tu reclamas de mim.

Onde está a vida que tu eras?


Pressão de me encontrar,

Já a tenho desde ontem.

segunda-feira, maio 12, 2008

Algodão


Imagens, contextos, linguagens, viagens

Tudo a nu


Gritos

Tecidos, Risos entre algodão


Lume, dá-me

Dás-me?


Silêncio, Silêncios

Construções que nascem do não dito


Palavras,

Interpretações a menos

Elaborações a mais


quinta-feira, maio 08, 2008

Reticências



As notas dos teus passos

A cor da tua voz


Em sintonia escrita

Voam fumos de vidas que podiam acontecer


Sonhos perdidos que se cantam

Vozes de sereias adormecidas

Voos de pássaros

Nuvens que se prendem ao Sol


Vidas que se agarram a momentos

Passados inertes

Passados pesados

Passados caducados que vivem o presente como se de hoje se tratasse


Amor ancorado em mágoas

Pura Poesia a tragédia da vida

Puro Amor em laços sem nós


Lágrimas

Olhos transparentes de dor


Lógicas que se tentam juntar

Não há amor que não se faça tragédia

Não há tragédia que não faça crescer Amor


Estou sozinha? Estou em mim?


Possivelmente nunca estive em ti.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Nua


Quero despir-me de ti

Tenho medo do frio

Mas não quero o teu casaco nos meus ombros

Por momentos, esqueci-me de que passo bem sem ele

É teu, já não te recordas?

Vou despir-me de ti

O teu perfume queima demais a minha pele

Quero cheirar o meu cheiro

Os teus sapatos não me deixam andar no passo do meu caminho

Quero andar descalça

Não me dês nada que não possa receber

Quero vestir a minha pele

E,

Agora, quero vestir-me de Adeus

Faço a mala

Nua

Entrego-te a roupa

Usa-a em ti, que deve fazer-te falta

Em mim pesava demais.