sábado, julho 19, 2008

Sede de Mim



Depois de subir-te montanha íngreme,

Depois de me anular e chegar a grão de areia

Grito por atenção e por retorno de qualquer coisa que nem se consegue dar nome


Que nome tenho eu?

De que imagem sou reflexo?

Que vida quero ser eu agora?


Viagem de mim até mim.


Corri tanto,

Cumpri tanto,

Responsabilizei-me tanto...


Entretanto o vazio colou-se, e,

Com ele instalou-se aquele doloroso sentimento que me dá falta de ar e sufoca.


Desapareceu tudo o que tinha à minha volta

E de repente não há nada

Olho o espelho e não me vejo


Os caracóis caem desalinhados

Os sinais já não parecem os mesmos

O verde do olhar deixou a cor do sonho

O sorriso não sorri da mesma forma


Aprender a respirar de novo

Um inspira

Dois expira

E o que me dizem as cartas?,

E os astros o que escrevem agora?


Complexidade, dificuldade, sensibilidade

Os símbolos que me pintam agora quais são?


Tu reclamas de mim.

Onde está a vida que tu eras?


Pressão de me encontrar,

Já a tenho desde ontem.

segunda-feira, maio 12, 2008

Algodão


Imagens, contextos, linguagens, viagens

Tudo a nu


Gritos

Tecidos, Risos entre algodão


Lume, dá-me

Dás-me?


Silêncio, Silêncios

Construções que nascem do não dito


Palavras,

Interpretações a menos

Elaborações a mais


quinta-feira, maio 08, 2008

Reticências



As notas dos teus passos

A cor da tua voz


Em sintonia escrita

Voam fumos de vidas que podiam acontecer


Sonhos perdidos que se cantam

Vozes de sereias adormecidas

Voos de pássaros

Nuvens que se prendem ao Sol


Vidas que se agarram a momentos

Passados inertes

Passados pesados

Passados caducados que vivem o presente como se de hoje se tratasse


Amor ancorado em mágoas

Pura Poesia a tragédia da vida

Puro Amor em laços sem nós


Lágrimas

Olhos transparentes de dor


Lógicas que se tentam juntar

Não há amor que não se faça tragédia

Não há tragédia que não faça crescer Amor


Estou sozinha? Estou em mim?


Possivelmente nunca estive em ti.

segunda-feira, maio 05, 2008

Programas Culturais



Festival de Jazz "Maio Lindo Maio" em Portimão de 8 a 11 de Maio. A não perder pelo menos nos dias 9 e 10!

Dia 8 Quarteto André Mota Quarteto de Marta Hugon “Story Teller"
Dia 9 Quarteto de David Binney (USA)
Dia 10 Carlos Barreto, com convidado especial Bernardo Sassetti
Dia 11 Apresentação do Filme JAZZ SONG Didier Lockwood Trio “Tribute to Grappelli” (França)
22h00 Zona Ribeirinha de Portimão (junto à antiga Lota)

As entradas são a 5€ ou então o pass para o festival é de 15€.

FIMA 2008 - FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA DO ALGARVE de 25 de Abril a 1 de Junho.

O Concerto da Orquestra de Câmara de Praga que teve lugar no passado dia 2 de Maio foi de uma beleza singular.

Na 30ª edição deste festival faço também referência ao concerto de 3 Pianos com Burmester, Laginha e Sassetti que irá ter lugar no no próximo dia 16 de Maio pelas 21H30 no Pavilhão do Arade em Lagoa. Quem não viu estes três senhores ao vivo no CCB não pode agora deixar passar estar oportunidade ao lado. A sala é pequena.. e os bilhetes já devem estar contados. Para terem acesso à programação inteira do festival cliquem aqui.

Mais para a frente no tempo:

- 19 de Junho de 2008 - Carlos Bica no Centro de Artes Performativas do Algarve - CAPA.


- O Festival Med em Loulé programado de 25 Junho a 29 de Junho de 2008 já conta com algumas bandas confirmadas.


- Allgarve Jazz 2008 decorre de 04 a 13 de Julho. Nomes confirmados: Freddy Cole, Herbie Hancock, Maria João e Mário Laginha, Lucky Peterson, Manhattan Transfer e Dee Dee Bridgwater.


- O Festival de Músicas do Mundo já começou a apresentar o cartaz com as bandas confirmadas. Este ano a 10º edição vai ser em grande: 10 dias de festival programado de 17 a 26 de Julho de 2008.

- Super Bock Surf Fest, de 14 a 15 de Agosto. No dia 14 de Agosto temos Emir Kusturica e a No Smoking Orchestra na praia do Tonel!

:) Algarve animado nos tempos que se aproximam! Bons concertos e saudações musicais!

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Recordar!

E há uns tempos atrás foi assim.. Supresa boa na minha caixa de correio. Um dia mais que bonito, numa quinta no Azeitão.




Nunca vos aconteceu olhar para uma foto e pensar "não me reconheço"? Foi o que me aconteceu.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Costuras



Hoje a tristeza costurou-se em mim.

Ela e eu somos uma.

Um gorro de impotência,

um cachecol de falta de ar,

umas luvas de algemas e

umas botas pesadas que não servem para andar.

Apetece-me chorar sem parar. Para ver se sai tudo cá para fora. Não quero mais nada dentro de mim.

Ou então, queria magia. Magia para resolver o que parece impossível ser tratável.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Dança Comigo, Danças?



"Camisa da cor dos cabelos,
blusa da cor dos olhos.."

Vaidosa!, manifesta-se ele.

Com vontade de ripostar, ela pensa, e, guarda para si:

"Vaidosa, mas do Amor que sinto por ti. Amar-te é música, que de cada vez que se solta uma nota, faz dançar um sem número de memórias que acontecem sempre que te vejo e penso em ti. Dança comigo, danças?"

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Como anda ela...

... com um laço embrulhado à volta, tal qual Mãe Natal.

Cuidado, corre perigo de se desfazer.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Adeus

Já não te vou encontrar mais, pois não?

.. Não mais me vais perguntar se te podes sentar na mesa, para beber o copo que foste buscar ao bar, nos artistas.

Ainda não acredito que o teu olhar perspicaz, o teu sorriso malandro e a boa disposição inteligente que te vestiam já não pertencem a este plano.

Não quero acreditar, mas vou ter que acreditar.


Para o R.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Dia Internacional dos Direitos Humanos - Eleutheria


Artigo 3.º
Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

(in Carta Internacional dos Direitos Humanos - Declaração Universal dos Direitos Humanos)


Indivíduo - "que não está dividido", sinónimo de indiviso ou de uno

Direito - "arte do meu e do teu (...)"

Vida - do latim "vita". Existência.

Liberdade - do grego eleutheria. liberdade da escravidão, independência, ausência de comedimento, negação de controle ou domínio, liberdade de acesso.

Segurança - "sem preocupações", "ocupar-se de si mesmo" (se + cura), "um mal a evitar".


Não teremos que aprender a ser unos, para poder ensinar a importância de estarmos em nós?

Não teremos que aprender a arte do meu e do teu para a ensinar?

Saberemos nós o verdadeiro significado da Existência?

Saberemos nós dizer não?

Sabemos ocuparmo-nos de nós mesmos para podermos ocupar-nos do outro?

Terão todos os seres humanos acesso pleno a este direito?

Quem ensina a activar o potencial de decisão em todos nós e o poder que esse ensinamento por si só abarca?

É da nossa responsabilidade a liberdade e a vivência em comunidade. É da nossa responsabilidade não reagir e fechar os olhos ao que incomoda. É da nossa responsabilidade dar a mão ao próximo. A arte do meu e do teu espaço, a arte da minha e da tua existência, a arte da nossa consciência colectiva é minha e tua também.

"Os regimes que reprimem a liberdade da palavra, por se incomodarem com a verdade que ela difunde, fazem como as crianças que fecham os olhos para não serem vistas."
Luwding Borne

domingo, dezembro 09, 2007

Caixinha de Madeira


Tudo passa, dizem.

Mas e tudo o que fica? Pergunto.

Porque não dizer: “vai ficar muita coisa, muita coisa, que possivelmente te irá acompanhar até ao último suspiro.”

Tudo passa?

É possível que muita coisa passe. A outras tantas coisas, possivelmente, acabamos por fechar os olhos para não as ver passar e para não as deixar abrir outras memórias.

É como abrir um frasco de memórias que cheiram e que sabem a hoje. E no entanto, já foram há tanto tempo.

Tudo passa? Ou tudo permanece guardado, com mais ou menos intensidade?

Será que essas memórias não ficam guardadas por escalas de cor, das mais coloridas às menos divertidas?

Se tudo passa, ficamos sem memória de nós mesmos. Se tudo passa, pouco aprendemos. Se tudo passa, não registamos nada.

A experiência que é minha, ou que já foi minha... É uma memória de paisagem verde, com cheiro de café amarrotado e um tapete vermelho de paixão.

É memória de música que foi tocada e que ainda toca e se propaga no espaço-tempo. Não passa.

Tudo numa caixinha de madeira que acumula o bilhete rasgado da primeira ida ao cinema, onde se acomoda o papel improvisado na mesa de café para escrever ‘Amo-te’, onde se prende a imagem, o cheiro e o sentimento do teu corpo nu colado ao meu.

É memória de cheiro, memória de amor, memória de ternura, memória de sentir...

É uma caixa de madeira que me acompanha e que de quando em quando abro para lembrar-me que sou capaz de amar com a intensidade de uma tempestade, a serenidade de um pôr-do-sol e a magia de quem descobre o amor pela primeira vez.

Não passa. É memória de mim que já não sou. Que fui porque só podia ser assim. É qualquer coisa que fez de mim o que sou hoje.


quinta-feira, dezembro 06, 2007

Blogagem Colectiva



O Dia Internacional dos Direitos Humanos comemora-se dia 10 de Dezembro. Um amigo, o Sam, deu inicio a uma campanha de blogagem colectiva.

Peço que se dirigam ao blog dele para retirarem informação mais detalhada e consequentemente aderirem à Campanha intitulada "Um mundo, Uma Vida".

Resumidamente, a campanha objectiva colocar o maior número de pessoas a escrever um texto acerca do Direitos Humanos a ser publicado no dia 10 de Dezembro no vosso blog. É pedido também que sejam colocados os selos da campanha que se encontram no blog do Sam.

Bentes, tu e os teus colegas tiram fotografias. Porque não a inspiração dos Direitos Humanos para publicarem umas fotos no Sem Imagens?

Lita, a tua escrita poderá contemplar alguns Pequenos Pormenores dos Direitos Humanos?

Tao, os Novos Tropismos podem dedicar um poema a este tema?

Sandra, podes contribuir com Palavras a Fio para esta campanha?

Olavo, sorrindo e caminhando podes Comentar de Passagem esta questão?

A todos os que passam por aqui, podem passar a mensagem da Campanha junto dos vossos contactos e escrever um texto neste dia?

Conto com todos!

quinta-feira, novembro 29, 2007

Nua


Quero despir-me de ti

Tenho medo do frio

Mas não quero o teu casaco nos meus ombros

Por momentos, esqueci-me de que passo bem sem ele

É teu, já não te recordas?

Vou despir-me de ti

O teu perfume queima demais a minha pele

Quero cheirar o meu cheiro

Os teus sapatos não me deixam andar no passo do meu caminho

Quero andar descalça

Não me dês nada que não possa receber

Quero vestir a minha pele

E,

Agora, quero vestir-me de Adeus

Faço a mala

Nua

Entrego-te a roupa

Usa-a em ti, que deve fazer-te falta

Em mim pesava demais.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Lavagem ao Ego


"És preciosa naquilo que fazes ao mundo"

Há palavras que calham tão bem. E quando caem no tempo perfeito?

Nem tu sabias o que eu precisava de ouvir isso. Nem eu própria sabia.

Obrigada!

É tão bom ter amigos, não é?

terça-feira, novembro 27, 2007

Fragilidades


O que dizer da fragilidade?

Será que pelo facto de conseguirmos ver a fragilidade do outro estaremos nós fragilizados também?

Ou então, será por já lá termos estado, que sabemos reconhecer imediatamente aquele sentir?

Mais ainda, evitaremos nós ao máximo esse encontro com o outro fragilizado porque não queremos olhar para dentro de nós e, reconhecer, que aquilo que nos faz comichão no vizinho é uma nossa circunstância interna mal resolvida?

Não sei. Não sei responder a nada disso. Só consigo fazer algumas congeminações mentais que acabam por ser improdutivas e que geram lixo mental.

O que é certo é que o encontro com os outros à minha volta está a deixar-me inquieta. Observo os mundos interiores dos outros e vejo que está tudo a entrar em colapso.

Encontro pessoas cada vez mais tristes. Será que sou que estou demasiado triste e que estou desperta para ver somente estes estímulos externos? Se for esse o caso, reclamo alegria até mim. Reclamo alegria para poder partilhar com os outros.

Vou ao Multibanco olho para o lado e vejo uma senhora a arranjar coragem para se atirar de uma varanda. Senti o terror dela, a tristeza profunda que ela carregava, a dor atroz que a estava a levar a tomar aquela atitude. Ouço-a, ou penso que a ouço a falar com ela. “Jogo-me ou peço por socorro? Se me jogar peço por socorro na mesma..? E será que tenho uma segunda oportunidade se por um momento magoar o meu corpo físico e poder reiniciar do ponto de partida nesta viagem que parece que deixou de ter sentido? Será que aí encontro o sentido? Onde é que estou eu? Não estou em mim, e ainda bem que não estou para não me poder ver. E se me matar, será que tudo termina de facto? E se for penalizada por isso? E se juntar pontos negativos na minha caderneta? E será que alguém vai sentir a minha falta? Porque é que ninguém me ouve? Porque é que ninguém me sente? O que faço com este vazio?”

É uma imagem que não me sai da cabeça. A imagem de alguém que quer acabar com aquilo que ninguém sabe como começou verdadeiramente e qual o objectivo final.

Chamei a polícia e rezei uma oração que saiu de um lugar qualquer de mim e pedi luz para aquela mulher. Não saltou, o apoio chegou atempadamente.

A dor que senti naquela altura, não era a dela... ou como dizer, não era só a dela. Era uma tristeza que vinha das profundezas da terra. Mas o que se passa com o mundo, com todos nós? Não me digam que é um sinal dos tempos. O que é que é isso do sinal dos tempos?

Esse dia foi determinante para mim. E espero que para ela tenha sido um ponto de viragem. E consigo compreender de uma forma mais ou menos elaborada o porquê desse acontecimento significativo e a ressonância interna que ele causou. Se estava a criar rotinas, a partir desse dia, ficou clara a minha necessidade de precisar ainda mais de mim.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Prémio Para Mim, Prémio Para Ti



Um prémio! Que bom! Agora, cabe-me a mim distribuir o prémio que me chegou de acordo com algumas directrizes.
Assim, há que seguir as regras indicadas:

1. Indicar quem foi que atribui o prémio - Pequenos Pormenores - Obrigada Lita!!

2. Atribuir o prémio a 7 blogs que considere "até não são mau blogs" ... Para mim, são os blogs que ando sempre a espreitar, que me fazem navegar e neptunar com uma regularidade quase diária nas palavras e imagens. E são eles:

Lita - http://deambulando-no-sentir.blogspot.com/ - retribuo o Prémio porque me apetece, por que posso e claro....porque ADORO o teu blog.
Olavo - http://comentariosdepassagem.blogspot.com/
Bentes & Companhia - http://semimagens.blogspot.com/
E agora, permitam-me que premeie um Blog que anda nas areias movediças da internet. A aparecer, a desaparecer e em constante reanimação cardíaca. Pode ser que com este Prémio consiga renascer das cinzas a que os seus colaboradores o remeteram.. Não é só por fazer parte dele, mas é por achar que tem potencial.. e Depois desta introdução manhosa cá vai.:
- CSA - A Verdade Anda à Solta - a vida pode ser uma cena marada: http://csa-averdadeandaasolta.blogspot.com/

3. Fazer referência ao criador deste prémio - http://nporca.blogspot.com/

segunda-feira, novembro 19, 2007

Procuram-se na Memória..



... conhecimentos adquiridos há muito tempo atrás.

Depois de longos anos de esquecimento... Finalmente já tenho Guitarra Arranjada!

quarta-feira, novembro 14, 2007

Apetece-me...

Desaparecer!!!!!!!!!!!!!!!!!



....Quero aprender esse truque de magia..!