sexta-feira, junho 09, 2006

Desabafo


As cores, os cheiros, os sons… as palavras. A existência. As batalhas que se travam. A vida. Os humores. A vontade. Os momentos. As pausas.

Preciso do silêncio. Estou farta da poluição ruidosa que encontro no trabalho, nas conversas de café, nos comboios... Estou cheia de momentos em que o silêncio é demasiado desconfortável. Estou cansada de palavras e mais palavras ocas que só se dizem para preencher um vazio interior que incomoda.

Quero chegar a casa, depois de um dia de trabalho, e ter vontade de fazer aquilo que me preenche. Quero respirar vida, quero ser vida.

Como é bom ser uma guerreira, uma deusa completa, grandiosa com o poder de invocar toda a plenitude que vai dentro. Já tive momentos assim, as pausas é que são demasiado grandes no tempo que corre. Se a vontade não estivesse ao serviço dos humores que flutuam, as batalhas que se travam não pareceriam em vão. É incrível a força que cresce e que espanta quando aparece destemidamente. Como é bom existir assim.

Quero a permanência desse estar em mim. Quero que as pausas sejam pequenas e transitórias. Hoje sei o que quero. Amanhã gostaria de continuar a saber.

11 comentários:

Tao disse...

É preciso formar um tálamo com o silêncio, deixa-lo embrenhar-se em nós até nós nos reencontrarmos nele, porque do Silêncio nascemos e ao Silêncio voltaremos.

Sim, é bom termos a determinação a guiar os nossos passos e saber que não caminhamos em vão…

É a partir dos dias cinzentos que construímos pontes para dias de luz. É nisso que consiste a nossa missão, construir a nossa felicidade… permanentemente…

Neptuna disse...

É o tal retorno a casa de que já falaste..

E sim, a felicididade é uma construção permanente.

Não me quero lamentar.. mas, deixo mais um desabafo.. quantas mais "noites escuras da alma" serão precisas? Pensando bem, é melhor saber! :P

Neptuna disse...

ups.. faltou-me o "não"... LOL

Dizem que Freud explica..

mas bem eu explico que queria dizer "é melhor não saber"

Tao disse...

Quando estiveres na tua escuridão, acende a tua vela interior. Ela ilumina tudo, dissipa as misérias de uma alma ansiosa pelo despertar.
Bebe luz e sacia as trevas. Quando te tornares sol, elas desaparecerão tão depressa como apareceram. Mesmo que regressem esporadicamente, elas já não terão a mesma consistência.
Serão necessárias todas as noites escuras imagináveis até que consigas sentir essa chama interior... Pode demorar... Mas quando acontecer, a noite terá outro significado para ti... Olha para a lua da tua noite. É o facho que te guia. Deixa-te guiar...

Neptuna disse...

:)

sim, parece-me que sim. obrigado pelo conselho.

Ps: relativamente à questão do silêncio, acho que tenho a solução.. arranjar um ipod. As desculpas que se arranjam para adquirir umas e outras coisas... Alguém mo quer oferecer? LOL :P

Tiago Miranda disse...

Um ipod não sei mas ofereço-te de bom grado um bom espaço virtual cheio de silencio. Aqui o tens:
















Nada mau hã? Pronto mauzinho aceito, ok mau, talvez mesmo muito mau, horrivel talvez seja a palavra certa.

Tiago aka Tiago.

PS - Talvez seja importante referir que gostei particularmente deste teu post ou então isso não te interessa nada. Bolas preciso mesmo de descansar...

Neptuna disse...

Obrigado...




Foi simpático. Deixa lá o ipod.. eu já estou a orientar isso.. o ipod nano preto é giro não é? Depois logo te envio uma foto dele comigo ao lado.

Mas foi bonito o espaço de silêncio.

E sim, foi mau... mas foste engraçado.. e eu tenho o dom de perdoar incondicionalmente...

Beijinhos... :P

Amorphico disse...

Sei que vais continuar a saber,
Exatamente aquilo que te convém para o melhor.
Talvez os silêncios sirvam para ouvires os ecos que te continuam a lembrar...

Neptuna disse...

:D

sim, eu hoje também sei que vou saber sempre..

Também concordo que os silêncios servem para ouvir tudo isso que nos relembra.

Obrigado pelas tuas palavras! Fiquei muito contente por já teres criado um blog. Escusado será dizer que vou ser uma visitante habitual..

Lita disse...

Foram lindas as tuas palavras.

Não sei como é contigo, mas eu, às vezes, preciso do som do ruído para discernir a beleza do silêncio... e a sua importância. Às vezes, é o vazio entre as existências que nos dá a alegria do Extase.
Se calhar o ruido faz sentido, para te tornar humana, e é o reconhecimento do silêncio que te torna imortal.
Se calhar...

Neptuna disse...

:)

Obrigado Lita.

Sim, para se conhecer um todo é preciso compreender os dois lados opostos de qualquer coisa..

Se calhar o ruído existe agora com esta força toda na minha vida para me lembrar que existe um silêncio interior em mim que pode estar comigo sempre, onde quer que esteja.

Se calhar é esta a lição.. mas a lição que falaste também fez ressonância.. é possível que sejam as duas.. se calhar.

:*